Monofluxo x pulsativo

A escolha da turbina/coletor de escape em um projeto vai muito além do tamanho (A/R) da carcaça, diâmetro e quantidade de pás do eixo e construção do coletor (tubular ou de ferro fundido). Existe um importante fator que ainda é pouco explorado pelos preparadores e entusiastas no Brasil mas que pode colaborar muito para o desempenho do motor: a utilização carcaças quentes de duplo fluxo, ou pulsativas, como também são conhecidas.

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Para explicar as diferenças e benefícios desta aplicação é necessária uma breve introdução sobre o funcionamento dos motores ciclo Otto. Os motores a combustão interna são máquinas que transformam energia térmica obtida na combustão em energia mecânica capaz de movimentar o veículo. Esse processo ocorre em 4 ciclos, chamados de tempos, que são: admissão, compressão, combustão e exaustão. Durante o funcionamento do motor, cada cilindro realiza um ciclo diferente. Usando como exemplo um teórico motor 4 cilindros com ordem de ignição 1-3-4-2, o cilindro número 1 estaria no ciclo de combustão e o cilindro número 4 se encontraria no ciclo de admissão, ou seja, ambos indo em direção ao ponto morto inferior (descendo nas camisas), portanto são chamados de cilindros gêmeos, enquanto o cilindro número 3 estaria no ciclo de compressão e por fim o cilindro número 2 se encontraria no tempo de exaustão, ambos indo em direção ao ponto morto superior (subindo nas camisas), e por estarem fazendo um movimento igual também são chamados de cilindros gêmeos.

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Em um turbo com sistema monofluxo, que é o mais comumente encontrado no mercado brasileiro, os gases do escape de todos os cilindros são direcionados para um único duto do coletor de escape e de lá seguem para a carcaça quente. Isso faz com que os gases de cilindros que estejam em ciclos completamente distintos se misturem durante o cruzamento de válvulas (momento em que as válvulas de admissão e escape estão abertas ao mesmo tempo), interferindo na lavagem de cilindros, que é a total expulsão dos gases de escape antes da entrada da mistura ar/combustível vinda da admissão e vice-versa.

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Já nos sistemas de duplo fluxo, os dutos do coletor de escape dos cilindros gêmeos são unidos e separados dos demais. Além de garantir que os gases dos cilindros que estejam em ciclos completamente diferentes se misturem, o uso de coletor e turbina pulsativos também possibilita a utilização de turbinas com maiores dimensões sem aumento do turbo lag (tempo que a turbina demora para encher e entregar potência), já que a construção dos componentes de duplo fluxo facilita a antecipação do enchimento da turbina, pois como a carcaça é dividida em duas, a área que os gases tem que preencher é menor e são necessários menos gases para encher os dutos, que impulsionarão o eixo da turbina mais cedo e com mais linearidade, garantindo uma boa pegada em giros mais baixos mesmo em turbinas com maiores dimensões se comparado a conjuntos monofluxo. Outro importante ganho é na diminuição da temperatura nas câmaras de combustão, com uma melhor lavagem dos cilindros e de quebra, a diminuição de um dos maiores vilões dos motores turbo comprimidos, o temido back pressure, que é a contrapressão no escape.

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Para comprovar na prática os benefícios do uso de coletor e turbina pulsativos, a SPA Turbo foi até Limeira, cidade do interior de SP onde fica localizada a oficina Rápidos, e passou no dinamômetro um Golf GTi com diversos upgrades. Equipado com um coletor de escape monofluxo SPA TMA03 e turbo Garret GT3071R com carcaça quente .63 também monofluxo, o motor 1.8 rendeu 455.2 cv. Após a substituição do coletor de escape por um SPA TMA05 duplo fluxo a carcaça quente da turbina foi substituída por uma SPA .70 pulsativa e outra passada no dinamômetro foi realizada nas mesmas condições e o resultado só confirmou as expectativas: 473.9 cv. O chefe de engenharia de produtos da SPA Turbo Fabio Felix Pascoal, nos conta um pouco sobre os resultados do teste: “Estávamos confiantes sobre os ganhos com o conjunto pulsativo, mas o resultado foi ainda mais surpreendente. Em alta rotação o ganho de potencia já era esperado, principalmente pelo aumento do tamanho da carcaça quente, mas além do ganho, a potência máxima foi atingida mais cedo. Mas o mais interessante foi o resultado em baixas rotações, que ultrapassou os 35 cv em determinadas rotações, sendo que a turbina acordou mais cedo, o que em um carro de rua faz muita diferença”.

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Este teste desmistifica a lenda de que conjuntos pulsativos só devem ser utilizadas em turbinas gigantes ou em carros de competição, e mostra que os ganhos que esta aplicação trazem estão ao alcance de qualquer entusiasta da alta performance.

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2 thoughts on “Monofluxo x pulsativo”

  1. Queria monta um pulsativo no meu gol ! Ele e AT 1.0 8v gol g4

    Qual coletor e turbina vocês indicariam pra eu montar ? E teria que usa o clamper por ser acelerador eletrônico ?

    1. Olá Charles! Pedimos que, por favor, entre em contato com nosso departamento comercial pelo tel: (11) 3660-2266 / 3826-2266, WhatsApp (11) 99687-3840, Skype spaturbovendas ou pelo e-mail: vendas@spaturbo.com.br. Lá irão te fornecer todas as informações detalhadamente, dicas de montagem etc.

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